O Grupo de Pesquisa e Extensão Territórios do Semiárido (Semiar), vinculado ao Departamento de Geografia do Centro de Ensino Superior do Seridó (DGC/Ceres), encerra 2025 com um conjunto de atividades voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, à valorização dos saberes populares e ao enfrentamento dos desafios socioambientais no Seridó Potiguar. Ao longo do ano, o grupo ampliou ações de formação, pesquisa e intercâmbio com comunidades rurais, aprofundando o diálogo sobre acesso à água, impactos das energias renováveis e práticas agroecológicas.
Entre os destaques, o grupo realizou mais um intercâmbio envolvendo agricultoras de diversas comunidades do Seridó. A atividade, promovida em parceria com a Cáritas Diocesana de Caicó, levou o grupo até a Comunidade Quilombola do Cumbe, no Ceará. A experiência possibilitou uma vivência direta com lideranças quilombolas que enfrentam os efeitos da implantação de complexos eólicos, revelando estratégias de resistência baseadas na identidade, na organização comunitária e no turismo de base local.
O Semiar também promoveu, no penúltimo mês do ano, um grande encontro com agricultoras e agricultores seridoenses durante o III Encontro Nacional Territórios do Semiárido. O evento reuniu cerca de 160 participantes e discutiu temas urgentes para a convivência com o semiárido, como o direito à água e os conflitos socioambientais que afetam as comunidades rurais. As rodas de conversa abordaram experiências de acesso à água, relatos de violações de direitos e a importância da organização social para assegurar condições dignas de vida no campo.
A programação também contou com uma feirinha de economia solidária, fortalecendo a comercialização de produtos da agricultura familiar, além da realização do seminário Energias Renováveis e Racismo Ambiental no Semiárido, que debateu os impactos da expansão da energia eólica sobre territórios camponeses e quilombolas. Mulheres de áreas diretamente afetadas discutiram as transformações no ambiente e as pressões enfrentadas pelas comunidades.

Além dos eventos, o Semiar manteve ativa sua agenda de visitas técnicas, oficinas e ações formativas. Agricultoras e agricultores participaram de momentos de intercâmbio em quintais produtivos, unidades coletivas de produção e casas de sementes, fortalecendo práticas agroecológicas e a gestão comunitária da agrobiodiversidade. O grupo também continuou executando o projeto de extensão Transição Agroecológica e Economia Solidária no Seridó Potiguar, que contribui para a consolidação das redes de economia solidária.Com produções marcadas por trocas de saberes, pesquisas aplicadas e mobilização comunitária, o Semiar encerra 2025 reafirmando a importância de debates essenciais para o futuro do semiárido e contribuindo para a construção de alternativas sustentáveis para as populações rurais do Seridó
