CPNU: mais de 3,6 mil aprovados devem começar a tomar posse em maio, diz Esther Dweck

Entrevistada nesta quinta-feira, 2 de abril, no programa “Bom Dia, Ministra”, a titular da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que os ministérios estão finalizando os pedidos de homologação para que mais de 3,6 mil pessoas aprovadas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) possam começar a ser empossadas a partir do próximo mês.

“Essas 3.652 pessoas vão começar a tomar posse, na nossa expectativa, no início de maio”, anunciou a ministra.

Esther Dweck ressaltou que as homologações feitas até junho garantem que as chamadas ocorram sem impedimentos pelo período eleitoral.

Todos os concursos homologados antes de junho, antes do defeso eleitoral, podem ser chamados durante o período eleitoral. O que você não pode é homologar um concurso novo. Então, concursos homologados não têm trava eleitoral. Tanto CPNU 1 quanto o 2 vão estar homologados antes do período eleitoral, portanto, a gente vai poder chamar excedentes, inclusive, ao longo do próximo semestre”.

DIVERSIDADE — A diversidade foi apontada como um dos grandes sucessos do modelo unificado. No CPNU 2, 40,5% dos aprovados ingressaram por meio de políticas de cotas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Além disso, houve um avanço significativo na equidade de gênero, com as mulheres representando 48,4% das aprovações nesta edição. “A gente acha que quanto mais diversidade tiver dentro do serviço público, melhor serão as políticas”, defendeu a ministra.

Esther Dweck também adiantou informações sobre novos concursos e chamadas de excedentes para 2026. Ela anunciou que o presidente Lula autorizou reforço na Polícia Federal: “A gente deve chamar aí mais mil imediatamente, talvez mais 500 ainda neste ano. Então serão 2.500 pessoas para a Polícia Federal neste mandato”. Outras áreas, como saúde (Fiocruz), mineração (ANM) e regulação (Anvisa), também passarão por análises para novas convocações na próxima semana.

COMBATE A FRAUDES — Sobre o combate a irregularidades em concursos, a ministra tranquilizou os candidatos honestos. Ela explicou que o MGI atua em parceria estreita com a Polícia Federal e a ABIN, utilizando inclusive IA para detectar fraudes em gabaritos. “No primeiro (CPNU), a gente já estava inovando em segurança. No segundo, a gente inovou ainda mais, justamente para garantir que as pessoas que passaram no concurso e que tomem posse são aquelas que realmente fizeram a prova de forma honesta e correta, e quem fez de forma fraudulenta seja eliminado. A gente já teve algumas eliminações no primeiro, e a Polícia Federal continua atuando”, alertou.

“Se encontrar mais gente que, de alguma forma, foi beneficiada pela fraude, essas pessoas também, mesmo que já tenham tomado posse, serão exoneradas. As pessoas que fizeram corretamente podem ficar com segurança, podem ficar tranquilas, porque o que a gente fez foi, justamente, garantir uma total capacidade de detectar qualquer tipo de fraude no concurso”, complementou a ministra.

CADASTRO AMBIENTAL RURAL — No campo da inovação, a ministra detalhou o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado com o Google para aprimorar o Cadastro Ambiental Rural (CAR). A parceria garantirá acesso a imagens de satélite de alta resolução datadas de 2008, marco temporal da regularização ambiental no Brasil. “Agora a gente sabe quem é o proprietário, sabe mais ou menos as delimitações. Com essas imagens, a gente vai ter boas imagens de 2008, o que vai facilitar muito a nossa vida e vai permitir a todos aqueles agricultores que estão em dia com tudo tenham sua vida muito facilitada”, destacou.

SEIS VEZES MAIOR — A nova tecnologia proporciona uma qualidade de imagem até seis vezes maior, permitindo visualizar detalhes essenciais para a regularização ambiental, como fragmentos de floresta e margens de rios. A fase inicial da parceria contemplará os estados do Maranhão, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Pará. “O CAR hoje em dia é base para o crédito rural, ele vai ser base para o mercado de carbono, ele vai ser base para uma série de coisas que vai facilitar muito a vida dos nossos mais de 7 milhões de proprietários rurais que estão cadastrados”, frisou Dweck.

DIGITALIZAÇÃO — Durante a entrevista, Esther Dweck destacou que a modernização da gestão pública está diretamente ligada ao uso de tecnologia e inovação. “A gente sempre fala: não é digitalizar a burocracia, é melhorar os serviços”, disse. Segundo ela, a integração de dados e a digitalização já geram economia estimada em mais de R$ 10 bilhões para o setor público e privado.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL — A inteligência artificial é um dos pilares da transformação digital. A ministra explicou que o governo já desenvolve centenas de soluções para melhorar serviços públicos. “A gente já tem mais de 300 soluções sendo adotadas e 340 em desenvolvimento de soluções de IA”, afirmou. A inteligência artificial (IA) também foi pauta central, especialmente após a apresentação do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O governo trabalha para que a tecnologia aumente a produtividade e melhore o atendimento direto ao cidadão.

“A gente tem feito um trabalho gigantesco de integração de dados para combater fraudes, reduzir gastos que são desnecessários, mas também poder prover um serviço bem qualificado e bem necessário para cada pessoa. É um governo para cada pessoa, saber o que as pessoas precisam e poder chegar na ponta”, explicou. Dweck citou ainda o uso de assistentes de IA para recuperação de senhas no Gov.br e para tirar dúvidas de estudantes sobre o Enem e o Sisu. “A gente tem trabalhado no desenvolvimento de modelos de linguagem com os dados brasileiros e de governo, para poder especializar os nossos assistentes de IA para darem respostas aliadas a isso”, explicou.

A ministra enfatizou que a modernização não se restringe ao governo federal. Através do Pacto Nacional pela Gestão e Inovação, 19 estados já aderiram a soluções compartilhadas. Em Salvador (BA), foi lançado recentemente o Programa Nacional de Fomento à Gestão e Emissão da Carteira de Identidade Nacional (PROCIN), com repasse de recursos para acelerar a emissão do novo documento. O objetivo é integrar bases de dados para reduzir fraudes e facilitar a vida dos brasileiros.

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