Pesquisadores revelam contaminação por petróleo em habitats de novas espécies de peixes das nuvens no RN

A pesquisa apresenta a descrição de duas espécies de peixes das nuvens endêmicos da Caatinga Potiguar, na bacia do rio Piranhas-Açu. As novas espécies recém descritas foram avaliadas como Em Perigo (EN) e Criticamente Ameaçada de Extinção (CR).

De fato, o cenário dos hábitats onde os peixes das nuvens ocorrem é preocupante, pois as localidades encontram-se impactadas por empreendimentos eólicos e petrolíferos. Neste último caso, realizamos análises químicas da água e identificamos a contaminação de petróleo dos habitats das novas espécies.

Diante desse contexto, levantamos a discussão sobre a regulamentação de hidrocarbonetos de petróleo em corpos de água doce do Brasil, que não está enquadrado na resolução 357/05 (CONAMA), a qual dispõe sobre a classificação de corpos hídricos, bem como, a lista de efluentes tóxicos com as respectivas concentrações permitidas em água doce. Além disso, chamamos atenção para o frágil sistema de licenciamento ambiental realizado no Rio Grande do Norte, que frequentemente negligenciam peixes de água doce da Caatinga.

Desde a década de 1970, os empreendimentos petrolíferos e eólicos avançam desenfreadamente na região da bacia potiguar, considerada um polo estratégico para matriz energética do Brasil. Isso certamente trouxe efeitos negativos para biodiversidade local.

Para se ter noção, a localidade tipo de uma das espécies descritas está situada a menos de 5 metros de um poço de petróleo em atividade. O impacto também é visível na morfologia dos peixes das nuvens. Constatamos a ocorrência de fenótipos atípicos e inéditos, com indivíduos apresentando o padrão de colorido de macho e fêmea simultaneamente. Além dos resultados científicos, este estudo mostra-se relevante por reforçar a necessidade de manter o debate sobre os efeitos negativos decorrentes do Projeto de Lei (PL) 2.159/2021, aprovado na Câmara dos Deputados no ano passado, que desestrutura o arcabouço do licenciamento ambiental no país.

Os resultados apresentados acima são discutidos em diferentes tópicos do estudo, que dispõe de uma série de imagens chamativas, tanto dos peixes quanto dos impactos antrópicos.

O estudo está sendo publicado no periódico Neotropical Ichthyology.

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