O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta quarta-feira (18), a Visão Geral da Conjuntura, uma análise do desempenho da economia brasileira. O Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea revisou a projeção de crescimento do produto interno bruto (PIB) brasileiro de 2,2% para 2,3%, refletindo principalmente a revisão do IBGE que elevou em 0,2% o crescimento do primeiro trimestre do ano. Para 2026, a estimativa foi mantida em 1,6%.
O Ipea afirma que a taxa básica de juros continua elevada, por decisão do Banco Central, apesar de a inflação dar sinais de queda. A manutenção das altas taxas de juros segura o crescimento econômico, diz o instituto.
As projeções de inflação foram revistas para baixo. A estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2025 caiu de 4,8% para 4,4%. A redução ocorre apesar do aumento esperado nos preços administrados, cuja alta prevista passou de 4,7% para 5,2%, em função de reajustes mais fortes nas tarifas de energia elétrica. Por outro lado, as estimativas de inflação dos alimentos consumidos no domicílio e dos bens industriais foram reduzidas, de 4,4% para 2,1% e de 3,1% para 2,4%, respectivamente, refletindo um cenário mais favorável para a taxa de câmbio. A projeção para os serviços livres foi mantida em 6,2%.
No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), embora a projeção para os preços administrados tenha sido elevada de 4,5% para 5,1%, a revisão para baixo das estimativas de alimentos e bens industriais – de 4,2% e 2,9% para 2,0% e 2,2% – levou a previsão de inflação em 2025 a recuar de 4,5% para 4%.
Para 2026, o cenário prevê crescimento moderado da economia, câmbio estável e menor impulso da safra, o que deve manter a inflação em desaceleração, embora de forma mais lenta. A projeção é de alta de 4,2% do IPCA, com desaceleração dos preços administrados, estimados em 3,8%. Em contrapartida, os preços dos alimentos e dos bens industriais devem subir 4,2% e 2,6%, respectivamente. A inflação de serviços permanece elevada, com previsão de 5,7%, ainda que com sinais de arrefecimento. No caso do INPC, a inflação projetada para 2026 é de 3,8%, influenciada principalmente pela alta dos alimentos no domicílio (4,3%) e dos serviços (5,3%), além dos bens industriais (2,4%) e dos preços administrados (3,6%).
Como já havia sido indicado na última Visão Geral da Conjuntura, o PIB do terceiro trimestre de 2025 cresceu 0,1% em relação ao segundo trimestre, na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo período de 2024, a alta foi de 1,8%, ligeiramente acima da projeção de 1,6% divulgada na edição anterior.
Em novembro, a inflação acumulada em 12 meses foi de 4,5%, pressionada sobretudo pelos preços dos serviços livres (6%) e dos administrados (5,3%). Já os preços de alimentos e de bens industriais, mais sensíveis ao câmbio, apresentaram variações mais moderadas, de 2,5% e 2,6%, respectivamente. Ainda assim, o Comitê de Política Monetária reafirmou, na ata de 11 de novembro, a avaliação de que a inflação segue pressionada pela demanda, exigindo a manutenção de uma política monetária contracionista por período prolongado.
