A prevenção de afogamentos ganha ainda mais importância com a chegada do verão, período marcado por altas temperaturas, férias escolares e maior frequência em praias, piscinas, rios e cachoeiras. Embora o contato com a água represente lazer e descanso, o risco de acidentes cresce de forma significativa. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), a cada uma hora e meia um brasileiro morre afogado, o que torna o problema um dos mais graves e silenciosos do país.
Além disso, conforme especialistas, o afogamento apresenta risco de morte até 200 vezes maior do que acidentes de transporte, considerando o tempo de exposição. Isso ocorre porque a falta de oxigênio provoca lesões cerebrais rapidamente. A neurologista Rejane Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein, alerta que apenas dois minutos submerso já podem levar à perda de consciência, enquanto quatro a seis minutos aumentam o risco de danos permanentes no cérebro.
Prevenção de afogamentos e os riscos neurológicos
Conforme explicam médicos e pediatras, o afogamento acontece de forma rápida e, muitas vezes, silenciosa. A vítima tenta manter as vias aéreas fora da água, submerge repetidas vezes e acaba aspirando líquido para os pulmões. Como resultado, ocorre falha nas trocas gasosas, queda brusca de oxigênio e comprometimento de órgãos vitais, como coração e cérebro.
Segundo a pediatra Tânia Zamataro, da Sociedade Brasileira de Pediatria, cerca de 20% das vítimas não fatais desenvolvem sequelas neurológicas de longo prazo. Por outro lado, quando o resgate ocorre rapidamente e o atendimento é adequado, algumas lesões podem ser reversíveis, especialmente em crianças. Ainda assim, minutos adicionais sem socorro podem evoluir para coma vegetativo ou morte cerebral.
Orientações práticas para evitar afogamentos
Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que a maioria das mortes por afogamento poderia ser evitada com atitudes simples. Crianças nunca devem ficar sozinhas perto da água, mesmo por poucos segundos. Além disso, crianças pequenas precisam permanecer a um braço de distância de um adulto que saiba nadar.
Boias e objetos flutuantes exigem cautela, pois podem transmitir falsa sensação de segurança. Do mesmo modo, o uso de colete salva-vidas é obrigatório em esportes aquáticos e embarcações. Evitar consumo de álcool antes de entrar na água, respeitar placas de sinalização e observar a profundidade também são medidas essenciais.
Formas eficazes de prevenção de afogamentos
1. Supervisão constante de crianças
Crianças nunca devem ficar sozinhas perto de água, nem por poucos segundos.
Um adulto responsável, sóbrio e atento deve manter contato visual permanente.
Crianças pequenas devem permanecer a um braço de distância do adulto dentro da água.
2. Atenção à profundidade e ao ambiente
Água na altura do umbigo já representa perigo, especialmente para crianças.
Rios, represas e cachoeiras possuem desníveis e correntezas invisíveis, que aumentam o risco.
O volume de água pode mudar rapidamente após chuvas, mesmo longe do local.
3. Uso correto de equipamentos de segurança
Boias e infláveis não substituem supervisão e podem virar ou esvaziar.
O colete salva-vidas é o único equipamento realmente seguro e deve ser usado em embarcações, jet skis e esportes aquáticos.
Objetos de modismo, como “caldas de sereia”, só devem ser usados com certificação e vigilância.
4. Cuidados com piscinas residenciais
Instalar barreiras físicas com pelo menos 1,5 metro de altura e portão com trava.
Manter ralos protegidos contra sucção.
Não deixar brinquedos próximos à piscina, pois atraem crianças.
Piscinas portáteis devem ser esvaziadas e desmontadas após o uso.
5. Evitar álcool antes e durante atividades aquáticas
O consumo de álcool reduz reflexos, atenção e capacidade de reação.
Pessoas alcoolizadas não devem entrar na água nem cuidar de crianças.
Muitos afogamentos de adultos estão associados ao uso de bebida alcoólica.
6. Respeitar sinalização e orientações
Placa verde indica local próprio para banho.
Placa vermelha sinaliza área perigosa, com risco de afogamento.
Em praias, procurar locais com presença de guarda-vidas.
7. Atenção após refeições
Evitar entrar na água logo após comer.
O risco de mal-estar, cãibras e congestão aumenta, reduzindo a capacidade de reação.
8. O que fazer ao presenciar um afogamento
Não entre na água impulsivamente, pois há risco de virar segunda vítima.
Jogue objetos que flutuem, como boias, cordas, garrafas ou pranchas.
Acione imediatamente o Corpo de Bombeiros (193) ou o Samu (192).
Sempre que possível, chame um guarda-vidas.
9. Educação e aprendizado
Ensinar crianças a nadar reduz riscos, mas não elimina a necessidade de supervisão.
Orientar desde cedo sobre brincadeiras perigosas, como “dar caldo” ou simular afogamento.
Informação salva vidas — literalmente.
