Nesta sexta-feira, 22, foi lançado o projeto de pesquisa Estratégia multimodal para melhorar o uso de antimicrobianos e controle de resistência bacteriana na Atenção Primária à Saúde, com uma oficina de abertura que reuniu 68 profissionais, incluindo agentes de saúde das Unidades Básicas de Saúde (UBS), gestores de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e pesquisadores da área da saúde.
Os infectologistas Bruno Tavares e Ícaro Boszczowski, ambos da Faculdade de Medicina da USP(FMUSP), apresentaram o panorama da resistência bacteriana no Brasil, destacando desafios, etapas da pesquisa e ações previstas. Bruno explicou que a oficina é um espaço de construção de estratégias que façam sentido na realidade local e fortaleçam a atenção primária. “A ideia não é chegar com ações definidas, mas trabalhar a partir das necessidades identificadas em cada município”, afirmou.
A proposta do projeto inclui três frentes de atuação que contam com a colaboração dos participantes da oficina: Equipe Comunicação, Equipe Mudança de Sistema e Equipe Educação. Essas frentes têm como objetivo desenvolver ações contínuas de solidarização e educação em saúde, fortalecendo tanto o engajamento das equipes quanto da população na prevenção da resistência bacteriana. Ícaro Boszczowski reforça a relevância do papel da população nesse processo. “Uma população bem informada é elemento-chave para o uso seguro dos antibióticos e contribui para o impacto positivo na redução de efeitos colaterais e na resistência bacteriana”.
A professora Marise Reis de Freitas, coordenadora do projeto no RN, reforçou que a oficina não se tratava de apenas um curso, mas também de um espaço para refletir sobre as práticas atuais e propor melhorias concretas no uso de antibióticos. A iniciativa utilizou ferramentas de planejamento estratégico para analisar forças, oportunidades, fragilidades e ameaças nas práticas atuais.
A iniciativa é coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com participação do Geasu-RN e do grupo de pesquisa Qualisaúde, integrando a rede internacional CAMO-Net Brasil, que reúne 11 países, como Brasil, África do Sul, Uganda, Índia, Paquistão, Bangladesh e todos países do sul global, com exceção do Reino Unido, responsável pelo financiamento por meio do Wellcome Trust.