Conhecido nas redes sociais pelo estilo de vida luxuoso e por ostentar uma rotina cercada de carros, viagens e ambientes sofisticados, o advogado Nelson Wilians voltou ao centro das atenções das autoridades nesta quinta-feira (13).
Fundador de um dos maiores escritórios de advocacia da América Latina, Wilians é um dos alvos de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta manhã. A investigação ocorre pouco mais de um mês depois de o advogado ter sido alvo de outra ação, desta vez relacionada a um suposto esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS.
O nome de Nelson Wilians também aparece nas investigações sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em março deste ano, o relatório final da CPMI do INSS recomendou o indiciamento do advogado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O documento também pediu o indiciamento de sua esposa, Anne Wilians.
Segundo informações apresentadas pela CPMI, a Polícia Federal investiga a relação de Wilians com o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais operadores do esquema que teria provocado descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Relatórios de inteligência financeira mencionados pela comissão apontam movimentações de aproximadamente R$ 4,3 bilhões envolvendo o escritório de advocacia. Desse montante, cerca de R$ 28 milhões teriam sido movimentados diretamente com empresas e pessoas relacionadas a Camisotti.
Créditos de ICMS também estão na mira
No dia 15 de julho, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao escritório Nelson Wilians Advogados Associados (NWADV), durante a Operação Distrato.
A investigação é conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), que reúne órgãos como Secretaria da Fazenda, Ministério Público e Procuradoria-Geral do Estado.
De acordo com as autoridades paulistas, escritórios de advocacia e empresas de consultoria são suspeitos de oferecer créditos de ICMS sem autorização do Fisco, apresentados aos clientes como alternativas legais de planejamento tributário.
A apuração aponta que parte desses créditos estaria relacionada a empresas inaptas, massas falidas e operações sem lastro econômico. Os intermediários, segundo a investigação, receberiam honorários que poderiam chegar a 70% dos valores negociados.
A Secretaria da Fazenda identificou pelo menos 752 empresas que teriam utilizado os créditos considerados irregulares. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 3,8 bilhões.
De filho de agricultores a advogado milionário
Natural de Cianorte, no Paraná, Nelson Wilians é filho de agricultores. Formou-se em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, no interior paulista.
Em 1999, abriu seu primeiro escritório, chamado Nelson Wilians e Oliveira, em sociedade com um amigo e colega de faculdade.
O negócio cresceu, ganhou novas unidades e se transformou na atual Nelson Wilians Advogados Associados.
A expansão ultrapassou as fronteiras brasileiras. A partir de 2014, o escritório passou a ter representação internacional, incluindo escritórios em Lisboa, Nova Delhi e China.
A projeção nacional do advogado aumentou ainda mais quando ele passou a atuar em casos de grande repercussão. Entre eles está a disputa judicial envolvendo Rose Miriam, mãe dos três filhos de Augusto Liberato, o Gugu, e as gêmeas Sofia e Marina Liberato pela herança milionária do apresentador, morto em 2019. A família chegou a um acordo em 2024.
Luxo nas redes sociais
Além da atuação profissional, Nelson Wilians construiu uma forte presença nas redes sociais, onde mostra detalhes de sua rotina, viagens, família e o ambiente luxuoso de seu escritório.
Foi justamente esse estilo de vida que ajudou a popularizar o apelido de “advogado ostentação”.
Agora, o advogado volta aos holofotes, desta vez por causa das investigações conduzidas pelas autoridades.
Wilians nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação sempre ocorreu dentro dos limites da advocacia. Até o momento, nem ele nem seu escritório foram condenados nas investigações mencionadas.
Sobre a operação realizada nesta quinta-feira, Nelson Wilians ainda não havia se manifestado até a publicação desta matéria.


