Gabriel Kanner, diretor do Instituto Riachuelo, comemora um ano da instituição

O Instituto Riachuelo, que completa 1 ano de fundação em maio deste ano, foi criado com o propósito de ser uma referência na geração de emprego e renda, sobretudo no interior do Rio Grande do Norte, e tem como pilar o projeto Pró-Sertão, que é o maior programa de distribuição de renda privado do Estado do Rio Grande do Norte. É o que ressalta Gabriel Kanner, neto do empresário Nevaldo Rocha, que hoje acumula os cargos de gestor do Grupo Guararapes e do Instituto Riachuelo. Em conversa com a TRIBUNA DO NORTE, Kanner diz manter o foco no instituto e seguir investindo no empreendedorismo alinhado ao desenvolvimento das comunidades, com projetos na cadeia têxtil, educação e capacitação profissional, economia de reciclagem, além da promoção da saúde e bem-estar. O Instituto já tem impacto positivo em cerca de 250 pequenos e médios empreendedores, o que beneficia indiretamente 50 mil pessoas no Sertão potiguar. Confira:

O Instituto Riachuelo completou um ano de atividades agora em maio. Como surgiu a ideia da criação? Em que frentes atua?
É uma data muito importante para nós muito especial, o Instituto é um sonho antigo dentro da empresa, há muito tempo a gente sente a necessidade de ter um instituto Empresarial para conseguir organizar melhor os nossos investimentos sociais e após o falecimento do nosso avô, isso acabou até acelerando, como uma forma de homenageá-lo e dar continuidade a esse legado de geração de empregos, que foi iniciado por ele no Rio Grande do Norte. Quando a gente começou a pensar no que seria o instituto, em como a gente queria atuar, o que a gente queria fazer, a gente tinha uma folha em branco, a empresa está presente em todos os estados, então teoricamente, o instituto já nasceria como instituto nacional, mas à medida que a gente foi se aprofundando, fazendo brainstorm, benchmarking, com vários outros institutos empresariais de grandes empresas e, de forma natural, o caminho foi se enveredando para gente colocar todo o nosso foco no Rio Grande do Norte, por ser o berço da empresa, por ser a origem da família, por nós sentirmos essa missão de devolver para o estado, onde começou a nossa história. Nesse ano a empresa está completando 75 anos de história, então a gente sentiu essa necessidade de começar o trabalho do instituto pelo Rio Grande do Norte para ajudar o Estado a alavancar as oportunidades, principalmente no que diz respeito à geração de emprego e renda no interior do Estado. A gente definiu que essa seria a missão do Instituto Riachuelo: transformar vidas por meio da geração de emprego e renda.
E como fazer isso?
Acreditamos que não tem outra forma da gente conseguir desenvolver o Rio Grande do Norte, da gente conseguir desenvolver o semiárido brasileiro, e a missão é justamente essa, sem a gente encontrar oportunidades que possam servir de fonte de renda para as famílias no interior, então o nosso principal projeto, que a gente acabou trazendo para o Instituto, que existe desde 2012, é o Pro-sertão, que já é um projeto extremamente bem-sucedido. A gente conseguiu acelerar bem a expansão de oficinas de costura, hoje já batemos a marca de 107 oficinas de costura gerando quase 4 mil empregos diretamente no interior. Essa é uma atividade que faz muito sentido para o semiárido, é uma atividade que não depende de água, água no caso só para consumo humano, mas não no processo produtivo, então é uma atividade que pode ser totalmente descentralizada, é muito eficiente do ponto de vista de geração de emprego. É um pilar do Instituto que queremos continuar divulgando, trabalhando cada vez mais e construindo esse sonho de transformar o Rio Grande do Norte em um dos principais polos do Brasil.
Como o RN está posicionado nacionalmente na produção têxtil?
Não deixamos a desejar em nada para nenhum outro polo têxtil no Brasil. Seja São Paulo, Santa Catarina, o nível de governança de compliance que nós seguimos nestas oficinas de costura impressionam qualquer um que visita elas. Realmente, somos muito rigorosos com os critérios para que tudo seja feito da melhor forma possível, respeitando tanto os empreendedores quanto as costureiras. Nós estamos nos tornando referência nacional, no que diz respeito à geração de emprego, com boas condições de trabalho. Esse projeto tem sido extremamente bem-sucedido e é motivo de muito orgulho para nós. Apenas no ano passado foram injetados mais de R$ 70 milhões no interior do Estado, através destas oficinas de costura. Isso é dinheiro saindo de São Paulo, da Oscar Freire, do Pátio Batel, em Curitiba, e tá chegando em São José do Seridó, Acari, Cruzeta. Isso é maravilhoso. A gente vê clientes comprando produtos no Brasil inteiro, em algum dos endereços mais chiques, mais conhecidos do Brasil, e esse dinheiro chegando nas mãos dos trabalhadores do interior do Rio Grande do Norte. É um milagre econômico para o semiárido. Hoje, o Pró-Sertão é o maior programa de distribuição de renda privado do Estado do Rio Grande do Norte. Nenhum outro programa, nenhum outro projeto, tem maior impacto do que esse em termos de distribuição de renda e geração de emprego.
A agenda ESG ganha cada vez mais destaque no mundo corporativo e no mercado financeiro nos últimos anos. Por que? (ESG é uma sigla em inglês que significa environmental, social and governance, e corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização.)
Eu acho que existe uma conscientização e um desejo cada vez maior das empresas de aderirem a essa agenda. Acho que tem muita espuma também, tem muita gente falando que quer entrar na onda ESG porque tá na moda, então é preciso tomar um pouco de cuidado quando a gente vai falar sobre isso, a gente precisa de projetos que de fato transformam a vida das pessoas, que de fato colocam as pessoas no centro e que gerem oportunidades para as pessoas. É fundamental usar as empresas, a força das empresas, a capilaridade das empresas, para promover essa transformação social, para fazer com que a base da pirâmide tenha cada vez mais oportunidades. A gente só vai conseguir de fato combater a pobreza se gerar esse tipo de oportunidade. A gente está falando de alguns municípios, por exemplo, esses que a gente tá trabalhando no interior do Rio Grande do Norte, que não tinham nenhuma atividade econômica, a não ser a Prefeitura ou algum programa de acessos social, como Bolsa Família. Tem um dado muito interessante, eu fiquei sabendo agora, na última vez que eu fui para lá, no município de Acari que tem 11 mil habitantes, pela primeira vez na história, agora mês passado, a indústria está com mais funcionários do que a prefeitura. Isso é um dado histórico, é motivo de orgulho para nós.
Qual o papel dos líderes das organizações nas questões ESG?
As empresas precisam cumprir o seu papel à medida que crescerem, e gerando cada vez mais emprego e renda elas vão levar essas oportunidades para cada vez mais pessoas. Os líderes das empresas agora estão tão conscientizando cada vez mais nesse sentido. Acho que é um movimento importante, mas a gente precisa de projetos, que de fato entreguem resultado, que não fiquem apenas no discurso, como a gente vê acontecendo em muitos casos.
A pandemia acelerou estas discussões sobre a ESG para empresas e investidores?
Acho que essa discussão já vinha antes da pandemia. Eu não acho que, necessariamente, uma coisa está relacionada a outra. Acho que as empresas se mobilizaram muito durante a pandemia, inclusive produziu milhões de máscaras. Isso foi interessante, quando começou a pandemia, a fábrica de Natal parou completamente e a gente tomou cuidado de não deixar as oficinas pararem porque elas teriam quebrado. Elas começaram a produzir máscaras, produzimos milhões de máscaras que foram distribuídas inclusive no Rio Grande do Norte. Eu acho que a discussão do ESG já precedia a pandemia e durante a pandemia houve esse esforço das empresas para conseguirem sobreviver. Pequenas e médias empresas, foram centenas de milhares de empresas aqui, que quebraram, então foi muito difícil e as grandes empresas que conseguiram fazer algum tipo de ação, se mobilizar, tomar umas ações para conseguir ajudar, então acho que as duas coisas caminharam em paralelo, nesse sentido.
As atividades preveem medidas de fortalecimentos econômico e social do Nordeste. Quais são as medidas previstas para este ano? E o que é pensado para o RN?
Falei das oficinas de costura e do Pró-sertão e acho interessante explicar melhor para os potiguares. Todo potiguar tem alguma memória, principalmente os mais velhos, ou tem alguma história com algodão. A gente vê muito isso nas famílias do interior, é uma planta que faz parte da história do Estado do Rio Grande do Norte e é uma produção que foi praticamente dizimada no final da década de 80. Quando a gente decidiu ir para essa área do agro, da agropecuária que é fonte de renda para muitas famílias ainda hoje no interior, o algodão acabou surgindo de forma natural, então nós iniciamos um projeto em seis municípios, em parceria com a Embrapa, e temos hoje 80 famílias cadastradas, que estão produzindo algodão e a gente está se preparando já para a colheita do algodão entre maio e junho. Temos outro pilar em relação ao bordado e artesanato, onde estamos trabalhando nos municípios de Caicó, Timbaúba dos Batistas e São Gonçalo do Amarante, capacitando bordadeiras para o desenvolvimento de produtos diferentes, técnicas, acesso ao mercado, marketing digital, realmente as formando como empreendedoras para que elas consigam alavancar os seus negócios. Bordado também é um tipo de atividade muito tradicional no interior do Estado, esse pilar também está avançando superbem e os produtos são lindos, tem cada coisa maravilhosa que está saindo das mãos dessas bordadeiras. Um outro pilar, que me deixa emocionado é o da educação. Estamos entrando nas escolas públicas municipais em todas que temos oficina de cultura, que hoje são 30 municípios. O Instituto Riachuelo está entrando em parceria nessas escolas com aula de empreendedorismo, liderança ética, introdução ao mundo dos negócios, educação financeira. É um programa muito bacana e para nós é emocionante, porque quando a gente entra numa escola pública do interior e vê essas crianças de 10, 12 anos de idade, eu vejo o meu avô nesses meninos.
Como é o relacionamento do Instituto com os governos estadual e municipais?
O relacionamento é ótimo. Logo no início quando lançamos o Instituto, tivemos uma conversa com a Governadora Fátima Bezerra, ela se colocou à disposição para ajudar, inclusive dentro do projeto do Pró-sertão, além do algodão os produtores também estão plantando palma forrageira, que serve de alimento para o gado, consórcios com milho, gergelim, respeitando o que cada um quer produzir. Essas mudas de palma forrageira foram doadas pela Secretaria da Agricultura do Governo Estadual, então eles contribuíram para o projeto. O relacionamento com as prefeituras têm sido fantástico, isso faz muita diferença, quando o prefeito acredita no projeto, compra a ideia e se engaja, as coisas fluem melhor. Temos encontrado gestores públicos muito competentes, muito engajados, que querem fazer essa mudança, levar inovação, diversificar as atividades econômicas dos seus municípios. Só tenho a agradecer por tantas pessoas boas, que é o que tem aparecido nessa trajetória do instituto.

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